segunda-feira

A porra toda

Prelúdio noturno. Embriaguez e leveza.
Um beijo.

Dia seguinte: já saudade.
Três dias depois: o primeiro sinal errado...

Uma semana depois: mácula.
Um mês: história sem fim.

Dois meses: o amor pode ser um jardim inteiro de cactos.

Três meses: o mar abençoa o amor.


Depois do fim: o túnel escuro. inverno-interno. rabiscos. passeios. versos.

só acaba quando chega ao fim
só chega ao fim quando termina...
ainda estamos nus ao vento
e ainda tem aquela pausa na voz


ah! e tem saudade... 
o indício crucial
de que 
o que terminou,
foi eterno...

Seis meses depois:
recolhe-se o que sobrou dos rituais da dor
e compõe-se um memorial

Tudo se transforma em trampolim 
para resignificar a porra toda.

Daí em diante, apenas o silêncio torna-se amigo fiel e verdadeiro.

Todo adeus é provisório, portanto, todo adeus é ilegítimo.

Ao despedir-se de um amor, tenha-se em conta: o melhor está sempre por vir...

assim,

despeço-me, sem me despedaçar.



Após: 
bocejo. quarto limpo. cadernos editados.

o mar abençoou
e lavou
levando pro seu mistério
a dor que não cabe na terra deste coração.