segunda-feira

desperta-dor

eu estava presa num pesadelo.
e estou acordando dele...

estupefata, dei-me conta de que me estagnei completamente no amor
fiquei à espera de um milagre, de uma gota de certeza
e passei três anos dentro de uma caverna, lamentando uma perda que nunca houve de fato...

é tanta coisa dentro do peito 
tanta ficha caindo
que  é quase impossível colocar em palavras
isto daqui é só um começo desse exercício...

não tenho um pingo de pena de mim
não me sinto vítima
nem carrasca
não tenho o poder de mudar o que houve, o que fiz
errei tanto quanto erraram comigo
olhei para estes erros, os meus e os deles, o dele...
larguei a dor
ela me perseguiu ainda
vociferei
lati
uivei
e chorei muito
porque chorar me dá a força necessária para continuar

se não chorasse, talvez a esta altura, estivesse doente da alma
cada lágrima importou
cada aperto e cada angústia
cada verso
cada silêncio

agora, saindo do pesadelo, consigo ver minhas cicatrizes
oh zeus, como estou marcada...
vou-me lembrando onde adquiri cada uma
e já nem penso em escondê-las
são parte de mim

esta sou eu, agora
saindo da caverna
suja
pálida
com cortes e arranhões
acordando do pesadelo

até que o dia de amanhã nasça
eu estarei de pé
e sim
estarei viva...

para contar esta longa história
e morrer em paz.



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