sexta-feira

Capítulo Um - Único capítulo

nunca pude lhe dizer tudo, nunca poderei,
 mas não foi porque eu não quis...





diante do silêncio
eu me decidi
na fenda das palavras renasci

rasguei a confissão
filtrei a confusão

e ressurgi.



[Para Mariana]

domingo

Batman


Eu o batizo Batman, em nome do silêncio, do conflito e da máscara.

Chamei-o de Batman. Ele atendeu.
Virou seu rosto em direção ao meu
E sacudiu a capa longa e preta, em total silêncio.

Encarei seus olhos e disse a frase perturbadora: você se enganou Batman.
Ele então, tira a máscara e joga contra mim. Seguro-a de prontidão e caminho até ele, devolvendo o que lhe pertence. Conflito.

Retomo meu passo. Sem medo.

Encontro com Freud, digo: adeus, Freud.
E não me explico.

Acordo e me espreguiço.

Batman, herói desatento, se salvou do retrato falado
decorou a bat-caverna
e abriu um bar chamado "bat-papo"

Reencontro com Freud, digo: Olá Freud.
E ele não me explica

Durmo.

Acordo e me espreguiço.

Retomo meu passo. Sem medo.

https://www.youtube.com/watch?v=MVJE7jnBo7c



terça-feira

O chamado

aquele radinho nosso, lembra?
duas cores, som ruizinho, chiado engraçado...
tocava samba e jazz nas noites de inverno
e no calor da nossa manhã
samba rock com beijo sabor pasta de dente

agora o radinho enfeita a bancada
as fotos escorreram do mural
e suas cartas estão dobradas 
guardadas no fundo da caixa "dor de rosa"

dia desses ouvi teu chamado
(porque eu escuto sabia?)
ouvi de dentro da minha toca
teu sussurro e teu silêncio

fiquei ouvindo, sobrancelha arqueada
escutei até o silêncio calar
e abri a janela
olhei o radinho, sorri

agora ele tá ligado
e teu chamado foi ouvido
foi ouvido.

foi olvido...

https://www.youtube.com/watch?v=nQ84WtdxcIo




sábado

Rua tal...

Tava folheando. Passei por uma página. Parei.
Porque li "amor e tosse não dá prá esconder". Ri-me...

Saí de tarde para comprar flores, vinho, manjericão e incenso de lavanda.

Ao parar na banca de jornal para perguntar onde era a "rua tal", eu vi ele.
Do outro lado, com cara de perdido.

Tremi. Suei. Fugi.

E andei correndo. 
Cheguei numa praça e sentei num banco.

Fiz uma breve ligação e depois dos mais ou menos 15 minutos tensos, decidi me acalmar indo tomar um suco. De cajá.


Voltei ao local. Não perguntei onde era a rua tal.

Deixei o instinto me levar ao lugar onde eu deveria encontrar o que saí para buscar...

Entrei naqueles hortifruti gigantescos e até fechei os olhos quando senti o cheiro de manga Palmer...

De repente, do outro lado, na fila de pesagem, com um saco de maçãs nas mãos, ele.

De novo, cara de perdido. Eu? Cara de alface... Só deu tempo de virar prá pegar um pedacinho de abacaxi que o atendente simpaticamente me ofereceu.

E eu fiquei sem manjericão...





quarta-feira

OITO - o infinito dos significados

Abro os e-mails antigos
Os enviados, os recebidos.
Numa estranha devoção ao que já foi esquecido.
Estão lá oito verbos
prontos
dentro da mensagem que só agora faz todo sentido...

amardesamarsofrerchorarescreverabandonardescrersuperar

E porque nunca aconteceu com você, não quer dizer que está protegido, protegida...

Está no máximo, excluído, excluída.
Nem sempre é proteção
Ás vezes é só destino...

São Paulo fria, iluminada e elegante.
Pisei nas folhas, ouvi o Outono...