quinta-feira

Piscina


“Parece que vocês dois estão na beira da piscina, prestes a mergulharem, mas um fica esperando o outro e ninguém mergulha..."

Medo? Acho que sim, medo. 
Da temperatura, da profundidade.
Só que você, mesmo com medo, pulou na água e voltou do fundo dizendo:
- Vem!
E ele, infantilmente escolheu não arriscar. Receio e vontade: conflito. Só sorriu e disse:
- Não, acho que não...
Você insistiu, mas ele insistiu mais.

Assim, eu imagino que você tenha saído da piscina e tenha pego na mão dele dizendo para pularem juntos. Nesse momento de coragem e de pele arrepiada, ele soltou da sua mão...
Você não teve mais dúvidas: sente mais medo que vontade, que ali escancarou-se nos olhos quietos, pedindo desculpa pela falta de coragem... (Pôxa! Nem mesmo a pontinha dos pés quis molhar!)

Não restou senão pegar a toalha pousada no vento, enxugar-se e se vestir para se aquecer depois de café e lembrança.

Jogou a toalha. Foi embora contrariada e refletiu: “Pior do que o medo é a falta de coragem”
Eu vi no seu olhar uma fogueira acesa. E te pergunto: Você tem coragem de voltar áquela piscina?”

Para L. que ao criar uma metáfora, criou também uma conexão com o invisível.
Obrigada, irmã...

domingo

Sopro

Donzela que sopras forte,
Vento da saudade violenta
Donzela você não aguenta
Saudade é só prás fortes...



terça-feira

Varal de ideias


Nesta tarde o sol alinhavou ideias esfriadas,
Contidas nas gavetas escuras de dentro...
Elas saíram uma a uma enfileiradas por um fio de calor humano...
Varal de ideias que ao invés de secarem,
Molharam-se da chuva de expectativa que caía na cabeça sem parar...
Depois o sol se pôs.
O varal ainda está lá, segurando.
As ideias também, ainda gotejando.
Quando o vento da vontade bater,
Certamente as ideias, passivas e penduradas, voarão sem querer.
Para onde elas vão é que não dá prá saber,
Muito menos o que pode acontecer!
Já pensou se o varal não aguenta
E com o peso arrebenta
Fazendo cair as ideias, agora mais sedentas?
É melhor reforçar o varal
Limpar bem o seu quintal
Prá garantir uma segunda chance.
Se a ideia cair, não precisa se afligir
Caia junto e junto se levante!
Pendure as ideias de volta
E você vai perceber algo intrigante:
Depois de uma queda, nenhuma ideia, nenhum ser humano,
Pensa e vive como antes...




                  



quinta-feira

Enquanto isso na Estação da Luz...


Uma mulher de cabelo roxo lê um livro
Um camundongo passeia pelo trilho
Yann Tiersen no meu fone, evoca solidão...
Um casal se beija
Alguém grita: VAI CURÍNTIA!
Um moço me olha
Uma criança chora
Duas garotas gargalham
Eu escrevo.
Penso na vida,
Enquanto o trem não chega...

sábado

O mágico da noite...


Toda pele deseja
Toda boca espera
Todo olhar alcança
O toque
O beijo
O outro.
Nada que foi
De novo será
Tudo que vem
Um dia irá
Só o céu pode deter
A cor do arco íris
Arco feito de magia
Sombra invisível da felicidade
Lembrança bordada de sorriso
A noite repinta o teto da saudade
E cai adormecida

Sábado!

Sábado! É dia de arrumar a casa,
Lavar a roupa, lavar a alma!
É dia de sair do tédio da semana
Ficar com quem se ama
Brincar de ciranda

Sábado! É dia de jogar fora
Toda a bagunça do mês
Tomar sorvete, ver filme a três:
Eu, você e a gente
Todo mundo sente
Que é dia de ser feliz

Sábado! Tomara que não chova
Prá gente ir prá cachoeira
Cantar na estrada, subir ladeira
Deitar na grama, falar besteira
E fotografar nossa brincadeira

Sábado! No rádio toca samba, bolero e rock
A gente dança qualquer música
Qualquer som que toque
Sorrindo com o copo na mão
Brindando nossa união

Sábado! É dia de festa no vizinho
A gente dá um jeitinho
De sair de fininho, ficar num cantinho
E apreciar nosso vinho

A gente se olha depois da briga
Deita um no outro e não diz nada
Afinal é sábado!
E a gente tem mais uma rodada
Da ciranda, da cerveja, do desejo
Deixa isso prá lá vem me dar um beijo
Antes que o sábado acabe
Vem prá cá que com você todo dia é sábado!
Todo dia com você é de felicidade!